Desejos Descalços - Contos (236 páginas)


Aluizio Rezende

LANÇAMENTO DIA 16 DE SETEMBRO DE 2009, na XIV Bienal Internacional do Livro/RJ, das 17:15 às 18:50h, no estande 10 da OFICINA, Pav. Verde, Rua "Q", no Riocentro, Barra da Tijuca/RJ.


Falar de uma obra de um amigo é tarefa suspeita demais porque se pode cair no sentimentalismo e não ser fidedigno ao relatar as impressões que causaram a leitura.
O nosso autor é erudito porque a gente se depara logo com a sinceridade quando ele discorre sobre um assunto de que é conhecedor, colocando na vida de seus personagens a sabedoria em relação, por exemplo, aos vinhos, às suas vidas nem sempre convencionais, aos seus atos e principalmente ao seu erotismo.
Sou dessas leitoras que têm que ser conquistadas nas primeiras páginas. Ou pelo suspense que é estabelecido quando o autor faz da gente a sua prisioneira, pelas suas palavras no desenrolar de um enredo cada vez mais complicado pela trama. E fico feliz ao encontrar esse modo tão peculiar de conduzir a narrativa. Confesso-me também muito seduzida por suas palavras, que fluem naturalmente, ao descrever a intimidade de seus personagens cada vez com mais ousadia.
Na novela Olívia de Bordeaux, por exemplo, há na vida da personagem principal um misto de sofisticação e simplicidade, por ser ela uma médica que se preocupa com os mais necessitados, mas vive a sua vida de uma forma requintada. A maneira de conduzir a trama no ir e vir das cenas, até chegar ao trágico desenlace, também prende o leitor, como se ele fizesse parte da novela que se desenrola numa forma suave aos nossos olhares. Tão bem urdida se faz a intriga. Originalidade de estilo, audácia de falar de temas bem atuais e perseverança de propósito.
A vida é bem assim, realista e por vezes sórdida. Mas sempre muito humana, dosada de deslizes e encontros furtivos, nem sempre muito fortuitos, e com certa freqüência conduzidos para o lado fatal.
Ainda em Olívia de Bordeaux, o vinho marca a certeza de dias pouco comuns, gerados por interesses escusos e quase implacáveis para a execração de uma sociedade religiosa e cheia de disfarces.
Nessa teia, tanto em Olívia, como de resto em toda a obra, desfilam os personagens, formando a urdidura do enredo, que pode se tornar cada vez mais polêmico e intrincado para acabar num emaranhado de situações que marcam a vida das pessoas.
O livro deve ser lido com a devida atenção ao que se apresenta como o desenrolar de vidas que se cruzam e forjam os seus destinos, dentro de padrões e características comuns sob o ponto de vista de um autor que quer ser entendido pelo seu relato sem censura da sociedade que observa e descreve.

Rio de Janeiro, março de 2006


Suely Nazareth
Escritora e poeta

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com atividade infantil às 11h;

Mais informações: oficinaeditores@oficinaeditores.com.br

 

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